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Discurso Festa do Dia da Unidade Alemã (Brasília, 22.09.2026)
"Queremos impulsionar a nossa cooperação em todos os campos".
Excelentíssimas Embaixadoras e Embaixadores, Senhoras e Senhores,
liebe Landsleute, prezados convidados,
Nós ainda não nos conhecemos. E imagino que muitos dos senhores estejam curiosos para saber quem é a nova Embaixadora da Alemanha. Eu acabei de chegar, com muito entusiasmo por esta nova e grande missão. Queremos aprofundar a parceria estratégica entre o Brasil e a Alemanha. Queremos impulsionar a nossa cooperação em todos os campos. A série de visitas – o primeiro-ministro Merz, vários ministros, delegações empresariais – e as Consultas Intergovernamentais produtivas deixam evidente como isso é importante para nós.
Meus sinceros agradecimentos por celebrarem conosco hoje o Dia da Unidade Alemã, o 3 de outubro de 1990. Para o mundo inteiro, o Muro de Berlim, que separou brutalmente e pelo poder das armas uma cidade, um país e seus habitantes, era o símbolo da Guerra Fria; foi a Queda do Muro que selou o seu fim.
Hoje, tudo isso é história – mas, na verdade, também não. Afinal, a Queda do Muro se tornou possível porque as pessoas nas ditaduras atrás da Cortina de Ferro exigiram liberdade, democracia e a soberania do Direito. Essa experiência une os nossos povos: vocês também, os brasileiros também se libertaram de uma ditadura. Seu país é um símbolo de democracia e Estado de Direito. Contudo, quando nos recordamos da sua e da nossa história, nós deveríamos nos dar conta que uma comunidade democrática precisa ser, a cada dia, preservada e conquistada para o futuro.
Em outubro, haverá eleições no Brasil. Estou ansiosa para ser uma testemunha da história. É o direito soberano do povo brasileiro escolher o seu presidente e os seus representantes do povo.
E esse direito deveria ser respeitado por todas as outras nações! Entretanto, constatamos que infelizmente democracias precisam resistir a tentativas de influência externa ilegítima.
Nos últimos quarenta anos, os brasileiros e sua democracia comprovaram estar à altura até mesmo de difíceis desafios. Suas instituições constitucionais mostraram-se fortes e resilientes. Uma democracia vigorosa, amparada pelos cidadãos, se manifesta em eleições livres e justas, independentemente de quem as vence.
Teremos satisfação em cooperar com o futuro presidente do Brasil e seu governo.
Se me permitem, algumas palavras sobre a situação na Europa e no Oriente Médio. Na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha de Hitler atacou os seus vizinhos e, no final, o Leste da Alemanha foi ocupado por tropas soviético-russas. Não podemos admitir que algo assim se repita na Europa. Não podemos admitir que a Rússia, violando o Direito Internacional, trave uma guerra de agressão imperialista contra a Ucrânia, seu país vizinho e sua população civil. Por isso, estamos, com nossos parceiros europeus, ao lado da Ucrânia.
Entendo que essa guerra está muito distante para os senhores no Brasil. Porém, somente unidos podemos deter essa perigosa tendência global de violação do direito internacional.
Hitler e os nazistas queriam a destruição do povo judaico, o genocídio. Em razão dessa culpa histórica, a Alemanha tem uma grande responsabilidade de defender a segurança e a existência do Estado de Israel. Ao mesmo tempo, compartilhamos com o Brasil a convicção de que somente uma solução de dois Estados poderá proporcionar a palestinos e israelenses um futuro de paz e segurança.
E, como maior doador humanitário, exigimos de Israel que a ajuda humanitária consiga chegar livremente ao povo palestino sofrendo.
Eu representei a Alemanha na China. Compreendi muito bem que os polos políticos de poder do mundo estão se deslocando drasticamente, que devemos nos reorientar. Para mim, como Embaixadora da Alemanha, é de uma importância estratégica a forma como o Brasil e a Alemanha se posicionam em relação aos grandes desafios globais – desafios como as mudanças climáticas e segurança energética, sistema financeiro e econômico mundial ou a reforma das Nações Unidas.
Aqui, uma palavra-chave histórica: Blumenau. Há mais de duzentos anos, o Brasil é um lar para muitos alemães, o que é uma base muito sólida de relações pessoais. Empresas alemãs têm investido no Brasil há muito tempo. O Brasil é o nosso principal parceiro comercial na América do Sul. E o potencial ainda está longe de ser esgotado!
Na Alemanha, permitimos dependências unilaterais, por exemplo, de terras raras da China. O Brasil é rico em matérias-primas – vamos nos unir em uma parceria voltada às matérias-primas críticas e a cadeias de suprimentos confiáveis! Um passo já foi dado: o presidente Lula da Silva e o primeiro-ministro Merz abriram juntos a Feira de Hannover deste ano – uma largada para relações econômicas mais dinâmicas.
Desde maio, o Acordo Mercosul-União Europeia já está provisoriamente em vigor – um marco que significa novas chances para o comércio, para investimentos e inovação. A Alemanha apoiará firmemente o processo de ratificação e implementação.
O Brasil foi um anfitrião comprometido ao organizar a COP-30 em Belém. Um verdadeiro avanço foi o novo fundo proposto pelo Brasil para as florestas tropicais. A Alemanha saudou muito a fundação do TFFF e pretende contribuir para o Fundo com, ao todo, um bilhão de euros a partir de 2027.
Além disso, nós apoiamos a estação de pesquisa do clima, a Torre ATTO – em plena Amazônia. Pessoalmente, já estou muito ansiosa para fazer a minha primeira viagem à região amazônica!
Belém mostra que precisamos de organizações multilaterais aptas a agir, especialmente nestes tempos tão voláteis! O Brasil e a Alemanha são defensores de reformas há muito tempo, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, por exemplo. Hoje, o sistema das Nações Unidas enfrenta uma crise financeira, que afeta gravemente os países emergentes e em desenvolvimento. Se construirmos pontes entre um país tradicionalmente industrializado e uma nação líder global do Sul, poderemos contribuir para moldar a futura arquitetura multilateral, com a ONU como âncora.
A parceria estratégica entre o Brasil e a Alemanha adquiriu uma enorme importância no século 21 [vinte e um]. Posso falar por mim pessoalmente que farei tudo ao meu alcance para identificar chances para o Brasil e a Alemanha e aproveitá-las da melhor forma com todos os senhores, com os nossos parceiros brasileiros!
Para terminar, gostaria de agradecer a colaboração de todos os colegas desta Embaixada, dos nossos fornecedores, em especial, a BRK EVENTOS bem como ao quarteto HER JAZZ que contribuíram para o êxito da nossa data nacional.
Viva a amizade entre o Brasil e a Alemanha!
Muito obrigada por sua atenção e tenham todos uma noite
proveitosa!